Bioquímica no envelhecimento: o olhar do nutricionista

A expectativa de vida da população brasileira está aumentando. No organismo humano, o processo do envelhecer traz diversas mudanças estruturais e fisiológicas naturais, mas dependendo do histórico de vida e da alimentação, essas mudanças podem se associar a muitas doenças degenerativas, que reduzem drasticamente a qualidade de vida do indivíduo. Dessa forma é importante entender profundamente e bioquimicamente o processo do envelhecer, para que possamos direcionar condutas nutricionais individualizadas e direcionadas a essas modificações orgânicas, pensando tanto na prevenção quanto no tratamento. Saiba mais sobre o olhar do nutricionista na bioquímica do envelhecimento nessa entrevista exclusiva com a professora Fernanda Galante, farmacêutica e nutricionista.

 

       

 

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A gordura ofertada na dieta pode influenciar nas características da microbiota intestinal, bem como nas suas funções fisiológicas que são imprescindíveis para reduzir o risco de diversas doenças1.

Em diversos estudos, é possível observar estas interações. Um estudo realizado em animais induzidos ao consumo de dieta hiperlipídica indicou aumento na proliferação de bactérias patogênicas do filo bacteroidetes – característico de disbiose - concomitante ao aumento de citocinas inflamatórias e alterações na permeabilidade intestinal2.

Em outra análise, observou-se que animais que tiveram o consumo de dieta hiperlipídica apresentaram alterações na microbiota do trato gastrointestinal, sendo este fator associado a alterações metabólicas e inflamatórias, como a resistência à insulina3.

Além da quantidade, a qualidade da gordura ofertada na dieta também pode influenciar na composição da microbiota intestinal. Em uma análise experimental constatou-se que a administração de azeite de oliva extra virgem foi correlacionada com redução de bactérias gram-negativas – que, em grande maioria são patogênicas -, dado que foi associado à redução de insulina e pressões sistólica e diastólica. Em contrapartida, a administração de manteiga foi correlacionada com aumento na proliferação de bactérias patogênicas e alterações em parâmetros que podem aumentar o risco de síndrome metabólica4.

Análises clínicas também enfatizam a importância da qualidade da gordura ofertada pela dieta. Um estudo conduzido com 88 indivíduos com risco de síndrome metabólica mostrou que o consumo de gordura saturada aumentou a composição de bactérias patogênicas. De forma contrária, o consumo de gordura monoinsaturada – presente no azeite de oliva, por exemplo – não gerou impactos negativos na microbiota intestinal. Ainda, os autores enfatizam a importância da avaliação da dieta como um todo, uma vez que os parâmetros da microbiota podem ser alterados de acordo com quantidade e o tipo de carboidrato consumido5.

Portanto, a adequação no consumo de gorduras na dieta deve ser um ponto relevante no planejamento alimentar, quando há o objetivo de melhorar a saúde intestinal.

Referências Bibliográficas:        

1-STEPHENS, R.W.; ARHIRE, L.; COVASA, M. Gut microbiota: from microorganisms to metabolic organ influencing obesity. Obesity; 26(5):801-809, 2018.

2-ARIAS-JAYO, N.; ABECIA, L.; ALONSO-SÁEZ, L. et al. High-fat diet consumption induces microbiota dysbiosis and intestinal inflammation in zebrafish. Microb Ecol; 2018. doi: 10.1007/s00248-018-1198-9.

3-HE, C.; CHENG, D.; PENG, C. et al. High-fat diet induces dysbiosis of gastric microbiota prior to gut microbiota in association with metabolic disorders in mice. Front Microbiol; 2018. doi: 10.3389/fmicb.2018.00639.

4-PRIETO, I.; HIDALGO, M.; SEGARRA, A.B. et al. Influence of a diet enriched with virgin olive oil or butter on mouse gut microbiota and its correlation to physiological and biochemical parameters related to metabolic syndrome. PLoS One; 13(1):e190368, 2018.

5-FAVA, F.; GITAU, R.; GRIFFIN, B.A. et al. The type and quantify of dietary fat and carbohydrate alter faecal microbiome and short-chain fatty acid excretion in a metabolic syndrome ´´at-risk´´ population. Int J Obes; 37(2):216-23, 2013.

Consumo de gorduras e microbiota intestinal