Chá Verde, Resistência a Insulina & Função Cognitiva

            O Chá verde (Camellia sinensis) é uma das plantas mais estudadas, por conter uma série de nutrientes e fitoquímicos que auxiliam na manutenção do equilíbrio orgânico. Dentre os compostos presentes no chá verde, a epigalocatequina 3-galato ganha maior evidência, especialmente por conferir potentes efeitos antioxidantes1,2.

            Por este motivo, o uso do chá verde tem sido sugerido para a redução do risco de problemas metabólicos – como a resistência à insulina3. Para justificar esta atividade, um estudo conduzido em modelo animal mostrou que o extrato do chá verde contribuiu com a homeostase do metabolismo glicídico, aumentando a transcrição de fatores responsáveis pela cascata fosforilativa mediada pela insulina4.

            Ainda, uma análise realizada in vitro identificou que os polifenois encontrados no chá verde – como a epigalocatequina 3-galato – inibem as enzimas α-amilase pancreática e α-glicosidase, que participam da digestão dos carboidratos. Desta forma, esta atividade inibitória pode reduzir a absorção de glicose consumida em uma refeição e, consequentemente, poupar a secreção de insulina e sua cascata fosforilativa5.

            Estes benefícios também são interessantes para reduzir o risco de problemas associados à resistência à insulina – como as alterações cognitivas. Esta correlação é explicada pela influência do metabolismo glicídico nas atividades cerebrais, sendo a resistência à insulina responsabilizada pela redução do suporte de glicose para produção de energia em diversas células do sistema nervoso central. Desta forma, um recente estudo realizado em ratos induzidos a resistência à insulina mostrou que a administração de epigalocatequina galato aumentou a sensibilidade à glicose em células neuronais.  Além disso, observou-se redução da neuroinflamação e aumento da função mitocondrial com a intervenção – mecanismos que, em associação, podem melhorar parâmetros de aprendizado e memória6.

            É importante ressaltar que os compostos bioativos do chá verde são biodisponíveis quando ocorre a infusão de suas folhas5.  Entretanto, é necessário ter cautela com a recomendação de chá verde, devido a sua concentração de cafeína – composto que pode exercer efeito deletério em indivíduos sensíveis7 – e também devido a possíveis interações com a glândula tireoide. Portanto, a indicação de qualquer planta deve atender as necessidades individuais, para que o tratamento seja seguro e efetivo.

 

Referencias Bibliográficas

  1. KIM, S.N.; KWON, H.J.; AKINDEHIN, S. et al. Effects of Epigallocatechin-3-gallate on autophagic lipolysis in adipocytes. Nutrients; 9(7):E680,2017.
  2. SUZUKI, T.; PERVIN, M.; GOTO, S. et al. Beneficial effects of tea and the green tea catechin epigallocatechin-3-gallate on obesity. Molecules; 21(10):E1305,2016.
  3. FERREIRA, M.A.; SILVA, D.M.; MORAIS, A.C. et al. Therapeutic potential of green tea on risk factors for type 2 diabetes in obese adults- a review. Obes Rev; 17(12):1316-1328,2016.
  4. CHOI, J.Y.; KIM, Y.K.; RYU, R. et al. Effect of green tea extract on systemic metabolic homeostasis in diet-induced obese mice determined via RNA-seq transcriptome profiles. Nutrients; 8(10):E640,2016.
  5. LIU, S.; AI, Z.; QU, F. et al.Effect of steeping temperature on antioxidant and inhibitory activities of green tea extracts against α-amylase, α-glucosidase and intestinal glucose uptake. Food Chem; 234:168-173,2017.
  6. MI, Y.; QI, G.; FAN, R. et al. EGCG ameliorates high-fat- and high-fructose-induced cognitive defects by regulating the IRS/AKT and ERK/CREB/BDNF. FASEB J; doi: 10.1096/fj.201700400RR.
  7. GODOS, J.; PLUCHINOTTA, F.R.; MARENTANO, S. et al. Coffee components and cardiovascular risk: beneficial and detrimental effects. Int J Food Sci Nutr; 65(8):925-36, 2014

 

 

 

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