Importância da alimentação saudável para aumentar HDL

As doenças cardiovasculares estão entre as principais desordens metabólicas que geram altas taxas de mortalidade. Dentre os gatilhos, as alterações no metabolismo lipídico ganham maior evidência, e pesquisadores buscam, constantemente, estratégias viáveis para minimizar estes impactos 1,2.

A HDL é uma lipoproteína de alta densidade, responsável pelo transporte reverso do colesterol. Sua capacidade de interagir com estruturas ricas em colesterol faz com que o risco cardiovascular seja reduzido e, portanto, seu aumento pode ser considerado protetor em algumas ocasiões1,2.

A alimentação saudável desempenha importante papel no aumento das concentrações de HDL, bem como na sua funcionalidade. Neste contexto, aumentar o aporte de antioxidantes pode ser uma interessante estratégia para melhorar as funções da HDL, dado que o estresse oxidativo é considerado como um dos gatilhos para suas desordens1,2.

Para demonstrar este efeito, um recente estudo conduzido em modelo animal de aterosclerose mostrou que a administração de vitamina C e E promoveu remodelamento das partículas de HDL, com aumento de paraoxonases – estruturas que conferem o efeito antioxidante desta lipoproteína3.

A importância da alimentação saudável no metabolismo da HDL também já constada em estudos clínicos. Uma análise conduzida com 80 pacientes mostrou que o consumo de 6 porções de frutas e verduras por dia, por 8 semanas, foi relacionado com o aumento da atividade antioxidante da HDL – mensurada pela paraoxonase – e de enzimas que realizam o transporte reverso do colesterol. Este resultado foi justificado pelos compostos bioativos presentes nestes alimentos – em especial, os carotenoides4.

De forma complementar, a alta exposição aos agrotóxicos pode reduzir a eficiência da HDL. Um estudo de correlação realizado com pacientes com síndrome metabólica mostrou que o aumento nos níveis plasmáticos de metabólitos de pesticidas organoclorados esteve associado a problemas no metabolismo da HDL, entre outros parâmetros metabólicos. Este estudo mostra a importância de priorizar, cada vez mais, o consumo de alimentos orgânicos, para a redução do risco de doenças5.

Portanto, incluir mais alimentos fontes de compostos bioativos pode melhorar as funções do transporte reverso do colesterol, diminuindo o risco aterosclerótico de pacientes que apresentam predisposição.

Referências Bibliográficas:

1-VALANTI, E.K.; DALAKOURA-KARAGKOUNI, K.; SANOUDOU, D. et al. Current and emerging reconstituted HDL-apoA-1 and HDL- apo E approaches to treat atherosclerosis. J Pers Med; 8(4):E:34, 2018.

2-LEE, Y.B.; CHOI, K.M. Diet-modulated lipoprotein metabolismo and vascular inflammation evaluated by 18F-fluorodeoxyglucose pósitron emission tomography. Nutrients; 10(10): 1382, 2018.

3-CONTRERAS-DUARTE, S.; CHEN, P.; ANDÍA, M. et al. Attenuation of atherogenic apo B-48 dependent hyperlipidemia and high density lipoprotein remodeling induced by vitamin C and E combination and their beneficial effect on lethal ischemic heart disease in mice. Biol Res; 51(1):34, 2018.

4-DANIELS, J.A.; MULLIGAN, C.; MCCANCE, D. et al. A randomised controlled trial of increasing fruit and vegetable intake and how this influences the carotenoid concentration and activities of PON-1 and LCAT in HDL from subjects with type 2 diabetes. Cardiovasc Diabetol; 13:16, 2014.

5-DUSANOV, S.; RUZZIN, J.; KIVIRANTA, H. et al. Associations between persistent organic pollutants and metabolic syndrome in morbidly obese. Nutr Metab Cardiovasc Dis; 28(7):7350742, 2018.

 

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