Mudança de estilo de vida e redução do risco de câncer

Câncer é uma das doenças mais prevalentes no mundo, sendo responsável por uma série de morbidades e altas taxas de mortalidade. Este perfil chama atenção de muitos pesquisadores, que buscam estratégias para minimizar os impactos negativos que a doença pode gerar no paciente oncológico1.

A mudança no estilo de vida é um dos pontos mais discutidos e incentivados pelos profissionais da saúde. Dentre as condutas mais discutidas, certamente a alimentação saudável ganha evidência, visto que muitos nutrientes e compostos bioativos atuam em nossas células, controlando reações proliferativas e nosso ciclo celular2.

Neste contexto, um recente estudo realizado com pacientes diagnosticados com câncer de mama indicou que uma simples mudança na alimentação – com o aumento no consumo de frutas, verduras e legumes – melhorou parâmetros inflamatórios, sugerindo positivo efeito no prognóstico da doença. Também é importante ressaltar que os pacientes receberam orientações de atividade física, fato que pode ter contribuído com este interessante resultado2.

 Em uma revisão sistemática meta-analítica, observou-se – a partir de análises de 93 estudos de estilo de vida e câncer – que hábitos considerados como não saudáveis estiveram associados com diagnóstico e evolução do câncer – especialmente de cólon, pâncreas, ovários e próstata. Os autores ainda indicam que este risco pode ser agravado em casos de sedentarismo e na presença de exposição a toxinas, como o cigarro3.

A forma com que estes pacientes lidam com as emoções também pode estar associada com a melhora dos sintomas e prognóstico da doença. Uma análise conduzida com mulheres que apresentavam diagnóstico de câncer indicou que relatos de ansiedade e depressão estiveram relacionados com redução na qualidade de vida, que poderia estar associada com o agravamento do quadro. Os autores mostram a importância do tratamento dos sintomas psicológicos, especialmente no início da doença, como uma forma de melhorar o estilo de vida, concomitante aos outros fatores – como alimentação e exercício4.

Desta forma, a mudança do estilo de vida é um critério que deve ser estimulado pelos profissionais da saúde, podendo agregar muitos resultados positivos ao longo do tratamento.

Referências Bibliográficas:

1-SEHATI SHAFAEE, F.; MIRGHAFOURVAND, M.; HARISCHI, S. et al. Self-confidence and quality of life in women undergoing treatment for breast cancer. Asian Pac J Cancer Prev; 19(3):733-740, 2018.

2-BUCKLAND, G.; TRAVIER, N.; ARRIBAS, L. et al. Changes in dietary intake, plasma carotenoids and erythrocyte membrane fatty acids in breast cancer survivors after a lifestyle intervention: results from a single-arm trial. J Hum Nutr Diet; 2019. doi: 10.1111/jhn.12621.

3-GROSSO, G.; BELLA, F.; GODOS, J. et al. Possible role of diet in cancer: systematic review and multiple-analyses of dietary patterns, lifestyle factors, and cancer risk. Nutr Rev; 75(6):405-419, 2017.

4-TRUDEL-FITZGERALD, C.; TWOROGER, S.S.; POOLE, E.M. et al. Psychological symptoms and subsequente healthy lifestyle after a colorectal cancer diagnosis. Health Psychol; 37(3):207-217, 2018.

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