Cacau e cognição

O cacau é um dos alimentos mais apreciados, por dar origem ao chocolate – que agrada populações do mundo inteiro, em suas diferentes formas de apresentação1, 2.

Além disso, o cacau ganha destaque por sua composição nutricional, que conta com muitos nutrientes e compostos bioativos. Por esta característica, o consumo de cacau tem sido proposto para a redução do risco de algumas condições e sintomas, como as alterações cognitivas1,2.

Em um estudo realizado em modelo animal, constatou-se que a administração de teobromina do cacau – um dos principais compostos bioativos encontrados neste alimento – foi responsável pelo aumento de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), indicando melhora das funções cerebrais, que favorecem a memória e o aprendizado3.

Outro estudo, também conduzido em modelo experimental, observou que a administração de cacau protegeu estruturas cerebrais do estresse oxidativo induzido. Portanto, a atuação antioxidante do cacau é um fator complementar para melhora das funções cognitivas4.

De forma clínica, os benefícios do cacau na saúde cerebral também já foram constatados. Uma análise que envolveu idosos que foram orientados ao consumo de bebida de cacau mostrou redução de parâmetros associados à disfunção cognitiva, justificada pela presença de flavanóis neste alimento. Ainda, os autores atribuem este efeito à melhora da sensibilidade à insulina, concomitante à redução da peroxidação lipídica5.

Embora os resultados sejam interessantes, é importante considerar o consumo do cacau em sua forma mais pura ou de derivados com maiores teores de cacau – preferencialmente orgânicos. Desta forma, o consumo de cacau é mais uma alternativa que pode auxiliar no funcionamento cerebral, reduzindo o risco de sintomas e doenças que afetam o sistema nervoso central.

Referências Bibliográficas:

1.ALONSO-ALONSO, M. Cocoa flavanols and cognition: regaining chocolate in old age? Am J Clin Nutr; 101(3):423-4, 2015.

2.TUENTER, E.; FOUBERT, K.; PIETERS, L. Mood componentes in cocoa and chocolate: the mood pyramid. Planta Med; 84(12-13):839-844, 2018.

3.YONEDA, M.; SUGIMOTO, N.; KATAKURA, M. et al. Theobromine up-regulates cerebral brain-derived neurotrophic factor and facilitates motor learning in mice. J Nutr Biochem; 39:110-116, 2017.

4.KOSOKO, A.M.; OLURINDE, O.J.; AKINLOYE, O.A. et al. Doxorubicin induced neuro-and cardiotoxicities in experimental rats: Protection against oxidative damage by theobroma cacao Stem Bark. Biochem Biophys Rep; 10:303-317, 2017.

5.MASTROIACOVO, D.; KWIK-URIBE, C.; GRASSI, D. et al. Cocoa flavanol consumption improves cognitive function, blood pressure control, and metabolic profile in elderly subjects: the Cocoa, Cognition, and Aging (CoCoA) study – a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr; 101(3):538-48, 2015.

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A obesidade – uma das condições mais prevalentes no mundo – pode ser desencadeada por alterações hormonais, que favorecem o aumento no consumo energético. Dentre os hormônios estudados, a grelina ganha evidência em casos de ganho de peso, uma vez que o aumento nos níveis deste hormônio é relacionado com redução de saciedade, favorecendo mecanismos adipocitários 1,2.

Desta forma, a modulação deste eixo hormonal pode ser uma estratégia viável para reduzir o ganho de peso pelo consumo energético exacerbado. Neste contexto, um estudo publicado na revista Nutrients, realizado com 38 indivíduos, mostrou positiva correlação entre o aumento no consumo de sal e elevação nos níveis de grelina, sugerindo que dietas ricas em sal podem reduzir a saciedade3.

Para contribuir com a atuação da grelina na fome, algumas análises indicam que dietas com alto teor de sal podem gerar resistência à leptina – condição em que a atuação sacietogênica do hormônio é prejudicada. Como mecanismo, sugere-se que a alta exposição ao sal seja responsável pela ativação de enzimas envolvidas em vias metabólicas de produção de frutose - que, por sua vez, interfere na atuação fisiológica de leptina4.

Como consequência da resistência à leptina, há maior risco de redução nos níveis de adiponectina – importante composto anti-inflamatório que é associado à redução do risco das morbidades atreladas à obesidade, como desfechos cardiovasculares, resistência à insulina e alterações neurológicas5.

Por meio destes mecanismos, conclui-se que o aumento no consumo de sal pode prejudicar vias de controle do consumo energético, favorecendo desequilíbrios no consumo calórico.

Referências Bibliográficas:

1-ALLISON, S.J. Metabolism: high salt intake as a driver of obesity. Nat Rev Nephrol; 14(5):285, 2018.

2-MASEKO, M.; MASHAO, M.; BAWA-ALLAH, A. et al. Obesity masks the relationship between dietary salt intake and blood pressure in people of African ancestry: the impacto f obesity on the relationship between sodium and blood pressure. Cardiovasc J Afr; 29:1-5,2018.

3-ZHANG, Y.; LI, F.; LIU, F.Q. et al. Elevation of fasting ghrelin in healthy human subjectis consuming a high-salt diet: a novel mechanism of obesity? Nutrients; 8(6):E323, 2016.

4-LANASPA, M.A.; KUWABARA, M.; ANDRES-HERNANDO, A. et al. High salt intake causes leptina resistance and obesity in mice by stimulating endogenous fructose production and metabolism. Proc Natl Acad Sci U S A; 115(12):3138-3143, 2018.

5-MIHALOPOULOS, N.L.; URBAN, B.M.; METOS, J.M. et al. Breast-feeding, leptina:adiponectin ratio, and metabolic dysfunction in adolescentes with obesity. South Med J; 110(5):347-352, 2017.

Aumento no consumo de sal pode interferir na saciedade