Como a exposição a toxinas pode influenciar a fertilidade

É crescente o interesse por estratégias que possam melhorar parâmetros de fertilidade, uma vez que já é conhecido o impacto de diversos fatores na concepção, sendo os aspectos ambientais de grande relevância neste contexto 1,2.

Esta importância é justificada, especialmente, pela atuação das toxinas em eixos hormonais associados à fertilidade. É conhecido que muitas toxinas são consideradas como disruptores endócrinos, que prejudicam a ação fisiológica dos hormônios sexuais – como estrógeno e testosterona3,4.

Uma análise conduzida em modelo animal mostrou que a exposição a pesticidas provocou aumento do estresse oxidativo que, por consequência, afetou a capacidade fisiológica dos espermatozoides. Com base neste resultado, os autores sugerem que a exposição a pesticidas poderia influenciar, negativamente, a fertilidade5.

Em mulheres, a atuação dos pesticidas e poluentes ambientais pode estar associada a disfunções ovarianas. Uma análise que envolveu 97 estudos mostrou que ftalatos, bisfenol A – presentes em materiais plásticos – pesticidas e o tabaco são as substâncias que mais influenciam na função ovariana, levando à depleção da fase folicular6.

Outro estudo, realizado com 799 mulheres e 487 homens, identificou positiva correlação entre o aumento nas concentrações urinárias de metabólitos de ftalatos e redução da capacidade dos oócitos, dado que interfere, de forma negativa, na probabilidade de gravidez, bem como na evolução da gestação. Em homens, estas correlações também foram observadas, e os autores enfatizam que esta condição pode dificultar a fecundação. Ainda, a exposição a pesticidas e bisfenol A foi associada à redução da qualidade do sêmen7.

Este é mais um fator que justifica a necessidade de reduzirmos a exposição a toxinas presentes no meio ambiente. Para isso, devemos aumentar o consumo de alimentos orgânicos e biodinâmicos – que não utilizam pesticidas para o seu cultivo -, favorecendo a saúde do consumidor e do agricultor. Também podemos reduzir a exposição aos plásticos, trocando os materiais feitos por esse material – como garrafinhas e recipientes – por vidro ou porcelana.

Além disso, é importante estimular nossas reações de destoxificação, para favorecer a eliminação de toxinas em nosso organismo. Estas reações podem ser otimizadas com o aumento no consumo de frutas, verduras, legumes e oleaginosas. Com estas estratégias, certamente iremos contribuir com a nossa saúde e com a do planeta.  

Referências Bibliográficas:

1-STREET, M.E.; ANGELINI, S.; BERNASCONI, S. et al. Current knowledge on endocrine disrupting chemicals (EDCs) from animal biology to humans, from pregnancy to adulthood: Highlights from a National Italian Meeting. Int J Mol Sci; 19(6): E1647, 2018.

2-PETRAKIS, D.; VASSOLIPOULOU, L.; MAMOULAKIS, C. et al. Endocrine disruptors leading to obesity and related diseases. Int J Environ Res Public Health;14(10):E1282, 2017.

3-GLEICHER, N. Expected advances in human fertility tratments and their likely translational consequences. J Transl Med; 16(1):149, 2018.

4-RATTAN, S.; ZHOU, C.; CHIANG, C. et al. Exposure to endocrine disruptors during adulthood: consequences for female fertility. J Endocrinol; 233(3):R109-R129, 2017.

5-ALHAMA, J.; FUENTES-ALMAGRO, C.A.; ABRIL, N. et al. Alterations in oxidative responses and post-translational modification caused by p,p – DDE in Mus spretus testes reveal Cys oxidation status in proteins related to cell-redoz homeostasis and male fertlity. Sci Total Environ; 636:656-669, 2018.

6-VABRE, P.; GATIMEL, N.; MOREAU, J. et al. Environmental pollutants, a possible etiology for premature ovarian insufficiency: a narrative review of animal and human data. Environ Health; 16(1):37, 2017.

7-MESSERIAN, C.; WILLIAMS, P.L.; FORD, J.B. et al. The environment and reproductive health (EARTH) study: a prospective preconception cohort. Hum Reprod Open; 2018(2):001, 2018.

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