Como as frutas brasileiras podem ajudar nosso sistema imunológico

As frutas são componentes imprescindíveis na alimentação, pois fornecem diversos nutrientes e compostos bioativos que participam de reações importantes em nosso organismo – como a imunomodulação1,2. Neste contexto, o Brasil apresenta vantagem por conter rica biodiversidade de frutas, facilitando esse consumo adequado3.

A jabuticaba (Plinia cauliflora), por exemplo, é muito conhecida e consumida no Brasil, e tem sido estudada por sua atuação antimicrobiana. Um estudo realizado in vitro identificou a atividade citotóxica do extrato das folhas da jabuticaba em espécies de cândida, dado que sugere sua atividade antifúngica3. O fruto também ganha evidência entre as publicações científicas sobre o tema por conter altas concentrações de antocianinas – especialmente na casca – que auxiliam na redução da inflamação e do estresse oxidativo4.

O Açaí (Euterpe oleracea) – típico da região norte do Brasil e muito conhecido por todo o país – também apresenta importantes contribuições imunomoduladoras5. Um estudo em cultura de células imunológicas de humanos mostrou que os compostos antioxidantes – principalmente os compostos fenólicos – do açaí inibem a atividade de ciclooxigenases e de lipopolissacarides (LPS)6.

Além dessas plantas conhecidas, as plantas alimentícias não convencionais (PANC) são relatadas pela interessante composição nutricional, que potencializa reações imunológicas. A amora branca (Rubus imperialis), fruto típico da região sul do Brasil, é popularmente conhecida pelo seu efeito analgésico, sendo mais efetiva que os fármacos utilizados para dor. Esta atividade é atribuída à inibição de eventos imunológicos que desencadeiam dor7,8.

Esses são apenas alguns exemplos do potencial das plantas encontradas no Brasil, que compõem nossa rica biodiversidade e que, facilmente, podem fazer parte de nossa alimentação, conferindo benefícios imunológicos.

Referências Bibliográficas :       

1-BVENURA, C.; SIVAKUMAR, D. The role of wild fruits and vegetables in delivering a balanced and healthy diet. Food Res Int; 99(Pt1): 15-30, 2017.

2-BURTON, G.W.; DAROSZEWSKI, J.; MOGG, T.J. et al. Discovery and characterization of carotenoid-oxygen copolymers in fruits and vegetables with potential health benefits. J Agric Food Chem; 64(19):3767-77,2016.

3-SOUZA-MOREIRA, T.M.; SEVERI, J.A.; LEE, K. et al. Anti-candida targets and cytotoxicity of casuarinin isolated from Plinia cauliflora leaves in a bioactivity-guided study. Molecules; 18(7):8095-108, 2013.

4-PITZ, H.S.; TREVISAN, A.C.; CARDOSOS, F.R. et al. Assessment of in vitro biological activities of anthocyanins-rich plants species based on Plinia cauliflora study model. Methods Mol Biol; 1391:65-80,2016.

5-WANG, Z.C.; ZHANG, J.J.; ZHU, Y.L. et al. Effect of acai (Euterpe oleracea) on lipid metabolism, immune substances and endocrine hormone in rats with deficiency-heat and deficiency-cold syndrome. Zhongguo Zhong Yao Za Zhi; 42(13):2552-2557,2017.

6-SCHAUSS, A.G.; WU, X.; PRIOR, R.L. et al. Antioxidant capacity and other bioactivities of the freeze-dried Amazonian palm berry, Euterpe oleraceae mart. (acai). J Agric Food Chem; 54(22):8604-10,2006.

7-NIERO, R.; KANEGUSUKU, M.; SOUZA, M.M. et al. Antinociceptive action of extracts and fractions from Rubus imperialis (Rosaceae). Therapie; 57(3):242-5, 2002.

8-ARDENGHI, J.V.; KANEGUSUKU, M.; NIERO, R. et al. Analysis of the mechanism of antinociceptive action of niga-achigoside F1 obtained from Rubus imperialis (Rosaceae). J Pharm Pharmacol; 58(12):1669-75, 2006.

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