Como o camu-camu pode ajudar nas doenças metabólicas

O camu-camu é um fruto típico da região Amazônica, que apresenta altas concentrações de compostos fenólicos – que conferem atividades antioxidantes – e vitamina C – superando as concentrações de alimentos mais convencionais, como a laranja e acerola1-3.

Por este perfil nutricional, alguns estudos têm mostrado associação entre o consumo deste fruto e redução de parâmetros inflamatórios, que podem desencadear doenças metabólicas que são altamente prevalentes no mundo, e responsáveis por uma série de morbidades e altas taxas de mortalidade1-3.

Um recente estudo conduzido em cultura de células observou que a administração de polpa e sementes do camu-camu promoveu efeito na redução de parâmetros que influenciam nos níveis pressóricos, sendo correlacionada com inibição de peroxidação lipídica e do sistema renina-angiotensina-aldosterona – responsável pelo controle pressórico4.

De forma complementar, um estudo clínico, conduzido com 10 indivíduos submetidos ao consumo do camu-camu, constatou melhora da vasodilatação mediada pelo fluxo, dado que sugere o benefício do camu-camu no controle da pressão arterial5.

As propriedades anti-inflamatórias do camu-camu também são benéficas para outras doenças metabólicas. Um estudo realizado com ratos obesos indicou que o tratamento com camu-camu reduziu 31,7% do peso – quando comparado com o controle -, concomitante à redução nos níveis de colesterol, triglicérides, glicose e citocinas inflamatórias6.

Ainda, uma revisão sistemática que envolveu estudos sobre atuação anti-inflamatória do camu-camu mostrou benefícios em doenças prevalentes no envelhecimento, uma vez que seus compostos reduzem o estresse oxidativo que contribuem com alterações celulares durante este processo. Neste contexto, vale ressaltar que a senescência celular pode contribuir com o aumento no risco de doenças metabólicas7.

Embora os estudos clínicos sejam escassos, devemos levar em consideração suas propriedades nutricionais e os impactos positivos na saúde. Assim, o camu-camu é mais um alimento que faz parte de nossa biodiversidade, que pode enriquecer nossas mesas com muitos benefícios e sabor.

Referências Bibliográficas:

1-AZEVEDO, L.; RIBEIRO, P.F. de A.; OLIVEIRA, J.A. de C. et al. Camu-camu (Myrciaria dúbia) from comercial cultivation has higher levels of bioactive compounds  than native cultivation (Amazon Forest) and presentes antimutagenic effects in vivo. J Sci Food Agric.; 2018. doi: 10.1002/jsfa.9224.

2-SERRANO, A.; ROS, G.; NIETO, G. Bioactive compounds and extracts from traditional herbs and their potential anti-inflammatory health effect. Medicines; 5(3):E76, 2018.

3-NERI-NUMA, I.A.; SORIANO SANCHO, R.A.; PEREIRA, A.P.A. et al. Small brazilian wild fruits: nutrients, bioactive compounds, health-promotions properties and comercial interest. Food Res Int; 103:354-360, 2018.

4-FIDELIS, M.; SANTOS, J.S.; ESCHER, G.B. et al. In vitro antioxidante and antihypertensive compounds from camu-camu (Myrciaria dúbia McVaugh, Myrtaceae) seed coat: a multivariate structure-activity study. Food Chem Toxicol; 2018. doi: 10.1016/j.fct.2018.07.043

5-MIYASHITA, T.; KOIZUMI, R.; MYODA, T. et al. Data on a single oral dose of camu camu (Myrciaria dúbia) pericarp extract on flow-mediated vasodilation on blood pressure in young adult humans. Data Brief; 16:993-999, 2017.

6- NASCIMENTO, O.V.; BOLETI, A.P.; YUYAMA, L.K. et al. Effects of diet supplementation with Camu-Camu (Myrciaria dúbia HBK McVaugh) fruit in a rat model of diet-induced obesity. An Acad Bras Clien; 85(1):355-63,2013.

7-LANGLEY, P.C. PERGOLIZZI, J.V.Jr; TAYLOR, R. et al. Antioxidant and associated capacities of Camu camu (Myrciaria dúbia): a systematic review. J Altern Complement Med; 21(1):8-14, 2015.  

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A obesidade é uma doença crônica metabólica que teve sua prevalência aumentada nos últimos anos, justificada por diversos fatores que envolvem o estilo de vida – como má alimentação e sedentarismo. Estima-se que cerca de 40% da população mundial já apresenta excesso de peso, e este dado alarmante faz com muitos pesquisadores tenham maior interesse por estratégias nutricionais que possam minimizar as causas e consequências desta doença1,2.

Os ácidos graxos ômega 3 podem contribuir com a redução do risco das morbidades associadas à obesidade, pelo efeito anti-inflamatório que reduz atividade de vias adipogênicas1,2. Ainda, análise em nível celular de pré-adipócitos identificou que a administração de ômega 3 aumentou termogênese de células marrons, por modulação de microRNAs associados a este processo, favorecendo a redução do risco de obesidade3.

De forma clínica, este benefício foi verificado em um estudo randomizado, realizado com 177 indivíduos obesos, que após a administração de suplementação com ômega 3 por 12 semanas, tiveram redução significativa da área de gordura visceral, em comparação ao grupo que recebeu o placebo4.

Para complementar, um estudo realizado com 15 indivíduos sobrepesos ressalta que a intervenção com ômega 3 é mais eficiente para a perda de peso quando associada a um programa de atividade física e bons hábitos alimentares5. Desta forma, o consumo de fontes de ômega 3 pode ser uma interessante estratégia para redução do risco de obesidade, em associação a um contexto saudável.

Além das fontes convencionais – como peixes e frutos do mar -, o ômega 3 também está presente em alimentos de origem vegetal como a beldroega – planta alimentícia não convencional encontrada em diversas regiões do Brasil, que facilmente pode fazer parte de refeições como uma hortaliça, contribuindo com a nossa saúde.

Referências Bibliográficas:

1-PAHLAVANI, M.; RAMALHO, T.; KOBOZIEV, I. et al. Adipose tissue inflammation in insulin resistance: review of mechanisms mediating anti-inflammatory effects of omega-3 polyunsaturates fatty acids. J Investig Med; 65(7):1021-1027,2017.

2-ROMBALDOVA, M.; JANOVSKA, P.; KOPECKY, J. et al. Omega-3 fatty acids promote fatty acid utilization and production of pro-resolving lipid mediators in alternatively activated adipose tissue macrophages. Biochem Biophys Res Commun; 490(3):1080-1085,2017.

3-KIM, J.; OKLA, M.; ERICKSON, A. et al. Eicosapentaenoic acid potentiates brown thermogenesis through FFAR4-dependent Up-regulation of miR-30b and miR-378. J Biol Chem; 291(39):20551-62,2016.

4-SAITO, S.; FUKUHARA, I.; OSAKI, N. et al. Consumption of alpha-linolenic acid-enriched diacylglycerol reduces visceral fat area in overweight and obese subjects: a  randomized, double-blind controlled, parallel-group designed trial. J Oleo Sci; 65(7):603-11,2016.

5-HAGHRAVAN, S.; KESHAVARZ, S.A.; MAZAHERI, R. et al. Effect of omega-3 PUFAs supplementation with lifestyle modification on anthropometric indices and Vo2 max in overweight women.Arch Iran Med; 19(5):342-7,2016.

6-PETROPOULOS, S.A.; KARKANIS, A.; FERNANDES, A. et al. Chemical composition and Yield of six genotypes of common purslane (Portulaca oleracea L.): An alternative source of ômega-3 fatty acids. Plants Foods Hum Nutr; 70(4):420-6,2015.

Fontes de ômega 3 podem reduzir a inflamação no tecido adiposo