Consumo de brássicas e redução do risco de câncer

O consumo de vegetais é correlacionado com a redução do risco de inúmeras doenças prevalentes no Brasil e no mundo, como o câncer – uma das doenças com maiores taxas de mortalidade e morbidade. Em especial, o grupo das brássicas – que envolve brócolis, couve-flor, rabanete entre outros – ganha destaque pela presença de compostos bioativos que desempenham proteção celular1.

Dentre os compostos bioativos presentes neste grupo, os sulforafanos são os mais estudados. Recentemente, um estudo conduzido em linhagem celular de câncer gástrico mostrou que os sulforafanos presentes no brócolis conferem efeito antiproliferativo e apoptótico – atuações justificadas pela alteração em microRNAs que estão envolvidos nesta patogênese2.

Em modelo clínico, estes benefícios já são observados. Em uma análise realizada com mulheres menopausadas que apresentavam histórico de câncer de mama observou-se redução de marcadores de estresse oxidativo com o consumo de 14 porções de brássicas por semana, durante 3 semanas. Para este resultado, analisou-se a excreção urinária de 8-isoprostane e 8-hidroxi-2-deoxiguanosina – marcadores que estão associados ao desenvolvimento de câncer3.

Outro estudo, que também envolveu o consumo de brássicas por 10 indivíduos, indicou melhora na integridade do material genético com a intervenção. Este é um importante dado para redução do risco de alguns tipos de câncer, uma vez que o material genético desempenha grande importância no ciclo celular e reações proliferativas4

Portanto, o consumo de brássicas pode ser uma interessante estratégia para reduzir o risco de uma das doenças que mais prejudica a qualidade de vida da população.

Referência Bibliográfica

1-ANDERSON, R.H.; LENSING, C.J.; FORRED, B.J. et al. Differentiating antiproliferative and chemopreventive modes of activity for electron-deficient Ary isothiocyanates against human MCF-7 cells. ChemMedChem; 13(16):1695-1710, 2018.

2-KIANI, S.; AKHAVAN-NIAKI, H.; FATTAHI, S. et al. Purified sulforaphane from broccoli (Brassica oleracea var. itálica) leads to alterations of CDX1 and CDX2 expression and chages in miR-9 and miR-326 levels in human gastric cancer cells. Gene; 2018. doi: 10.1016/j.gene.2018.08.026

3-WIRTH, M.D.; MURPHY, E.A.; HURLEY, T.G. et al. Effect of cruciferous vegetable intake on oxidative stress biomarkers: differences by breast cancer status. Cancer Invest; 35(4):277-287, 2017

4-CHARRON, C.S.; CLEVIDENCE, B.A.; ALBAUGH, G.A. et al. Assessment of DNA damage and repair in adults consuming allyl isothiocyanate or brassica vegetables. J Nutr Biochem; 24(5):894-902, 2013.

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A tireoide é um órgão essencial para o nosso organismo, por controlar todas as nossas reações metabólicas, por meio dos hormônios produzidos. Entretanto, esta glândula endócrina pode sofrer influencia negativa de diversas substâncias que entram em contato com o nosso organismo, como o mercúrio – metal pesado que está associado a diversas morbidades1,2.

Em recente estudo conduzido em modelo animal observou-se que a exposição ao mercúrio gerou alterações nas concentrações de hormônios tireoidianos, bem como na transcrição de genes envolvidos no eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Os autores enfatizam que esta exposição pode aumentar o risco de distúrbio na glândula, por interferir no seu funcionamento fisiológico3.

Além da interferência em nível tireoidiano, a exposição ao mercúrio também pode prejudicar sua sinalização celular. Em análise realizada em modelo experimental identificou-se que a exposição ao mercúrio exerceu efeito inibitório em deiodinases – enzimas responsáveis pela conversão do hormônio tireoidiano em sua forma metabolicamente ativa4.

Em humanos, esta correlação também já foi observada. Uma análise realizada com 1109 adolescentes e 4409 adultos identificou correlação inversa entre concentrações plasmáticas de mercúrio e níveis de hormônios tireoidianos. Para complementar, os autores também verificaram que a exposição ao cadmio esteve associada a alterações tireoidianas – especialmente em níveis de T3, T4 e tireoglobulina5.

O mercúrio está presente em poluentes ambientais, cosméticos e em fertilizantes utilizados em alta escala pela agricultura convencional. Assim, a redução do contato com estes compostos pode ser uma interessante estratégia para reduzir os impactos negativos deste metal pesado, favorecendo nosso equilíbrio orgânico.

Referências Bibliográficas:

1-LIOP, S.; LOPEZ-ESPINOSA, M.J.; MURCIA, M. et al. Synergism between exposure to mercury and use of iodine supplements on thyroid hormones in pregnant women. Environ Res; 138:298-305, 2015.

2- RANA, S.V. Perspectives in endocrine toxicity of heavy metals – a review. Biol Trace Elem Res; 160(1):1-14, 2014.

3-SUN, Y.; LI, Y.; CHEN, Q. Environmentally relevant concentrations of mercury exposure alter thyroid hormone levels and gene expression in the hypothalamic-pituitary-thyroid axis of zebrafish larvae. Fish Physiol Biochem; 2018. doi: 10.1007/s10695-018-0504-2.

4-PANTALEÃO, T.U.; FERREIRA, A.C.F.; SANTOS, M.C.S. et al. Effect of thimerosal on thyroid hormones metabolismo in rats. Endocri Connect; 6(8):741-747, 2017.

5-CHEN, A.; KIM, S.S.; CHUNG, E. et al. Thyroid hormones in relation to lead, mercury, and cadmium exposure in the National Health and Nutrition Examination Survey, 2007-2008. Environ Health Perspect; 121(2):181-6, 2013.

 

           

Exposição ao mercúrio pode afetar a tireoide