Consumo de pequi e saúde hepática

O pequi é uma fruta típica da região centro-oeste do Brasil, sendo parte dos hábitos alimentares de muitos que vivem nesta região, contribuindo com o consumo de muitos nutrientes e compostos bioativos que protegem nosso organismo contra o estresse oxidativo1.

Por esta atuação antioxidante, algumas hipóteses indicam que o pequi pode ser interessante para a saúde hepática. Esta atuação foi verificada em um recente estudo conduzido em modelo animal, em que constatou-se que a administração do óleo de pequi promoveu proteção contra o dano celular induzido em células hepáticas, indicando efeitos positivos na redução da peroxidação lipídica. Este resultado foi justificado pela alta concentração de carotenoides neste alimento2.

Em outro estudo, observou-se que a presença de ácidos graxos insaturados presentes no óleo da amêndoa do pequi foi responsável pela redução de marcadores inflamatórios, concomitante à redução de enzimas hepáticas e aumento de enzimas antioxidantes – como glutationa peroxidase e glutatioa redutase. Com base nestes resultados, os autores sugerem o pequi como um protetor de lesões hepáticas, pela atuação antioxidante que confere ao tecido3.

Com relação ao desenvolvimento de hepatocarcinoma, os resultados também são promissores. Uma análise conduzida em modelo animal de indução de carcinogênese no tecido hepático identificou que o óleo do pequi promoveu redução de 51% das lesões e adenomas, podendo reduzir o risco deste tipo de câncer4.

Com bases nestes resultados, o consumo do pequi pode ser uma interessante estratégia para a redução de alterações hepáticas, otimizando o funcionamento deste órgão que é  importante para o nosso equilíbrio orgânico.

Referências Bibliográficas

1-BAPTISTA, A.; GONÇALVES, R.V.; BRESSAN, J. et al. Antioxidant and antimicrobial activities of crude extracts and fractions of cashew (Anacardium occidentale L.), Cajui (Anacardium micrcarpum), and Pequi (Caryocar brasiliense C.): A systematic review. Oxid Med Cell Longev; 2018. doi: 10.1155/2018/3753562.

2-VALE, A.F.; FERREIRA, H.H.; BENETTI, E.J. et al. Antioxidant effect of the pequi oil (Caryocar brasiliense) on the hepatic tissue of rats trained by exhaustive swimming exefcises. Braz J Biol; 2018. doi: 10.1590/1519-6984.180015.

3-TORRES, L.R.; SANTANA, F.C.; TORRES-LEAL, F.L. et al. Pequi (Caryocar brasiliense Camb.) almond oil attenuates carbon tetrachloride-indeced acute hepatic injury in rats: antioxidante and anti-inflammatory effects. Food Chem Toxicol; 97:205-216, 2016.

4-PALMEIRA, S.M.; SILVA, P.R.; FERRÃO, J.S. et al. Chemopreventive effects of pequi oil (Caryocar brasiliense Camb.) on preneoplastic lesions in a mouse model of hepatocarcinogenesis. Eur J Cancer Prev; 25(4):299-305, 2016.

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A obesidade é uma das condições mais prevalentes no mundo, sendo associada a diversas morbidades – como hipertensão, dislipidemias e diabetes – que reduzem a expectativa de vida. O acúmulo de adipócitos – principal gatilho para a patogênese da obesidade – é responsável pela ativação imunológica que favorece a migração de diversos tipos celulares que aumentam as concentrações de citocinas inflamatórias. Como consequência, esses mediadores ativam vias de adipogênese, promovendo a diferenciação e proliferação adipocitária1,2.

O Brasil é rico em plantas que podem auxiliar na redução do risco de obesidade, como a Capuchinha (tropaeolum majus) – uma flor comestível encontrada na região sudeste do Brasil. Como mecanismo, um estudo realizado em cultura de adipócitos identificou que a administração de extrato de Capuchinha inibiu o acúmulo lipídico e reduziu a expressão gênica de fatores que aumentam o processo de adipogênese3.

A Capuchinha também é proposta para reduzir vias inflamatórias que podem ser ressaltadas na obesidade4. Por esta hipótese, um grupo de pesquisadores verificou, em modelo celular, que o extrato aquoso da planta foi capaz de suprimir a via das Ciclooxigenases, sugerindo efeito anti-inflamatório5.

Além destas importantes atuações, um ensaio clínico conduzido com 15 homens metabolicamente saudáveis mostrou que o consumo de suas folhas secas resultou em aumento de hormônios intestinais que regulam a saciedade, podendo reduzir o consumo energético6.

Desta forma, o consumo de Capuchinha é proposta como uma interessante estratégia para a redução do risco de obesidade. Entretanto, é importante considerar a literatura escassa sobre suas correlações clínicas, que impede conclusões precisas sobre a sua efetividade em condições metabólicas.  

 

Referencias Bibliográficas

1-HERNÁNDEZ-CORDERO, S.; CUEVAS-NASU, L.; MORÁN-RUÁN, M.C. et al. Overweight and obesity in Mexican children and adolescents during the last 25 years. Nutr Diabetes; 7(3):e247,2017.

2-CASTOLDI, A.; NAFFAH, S.C.; CÂMARA, N.O. et al. The macrophage switch in obesity development. Front Immunol; 6:637,2016.

3-KIM, G.C.; KIM, J.S.; KIM, G.M. et al. Anti-adipogenic effects of Tropaeolum majus (nasturtium) etanol extract on 3T3-L1 cells. Food Nutr Res; 61(1):1339555,2017.

4-VILLANUEVA, J.R.; ESTEBAN, J.M.; VILLANUEVA, L.R. Solving the puzzle: what is behind our forefathers anti-inflammatory remedies? J Intercult Ethnopharmacol; 6(1):128-143,2016.

5-TRAN, H.T.; MÁRTON, M.R.; HERZ, C. et al. Nasturtium (Indian cress, Tropaeolum majus nanum) dually blocks the COX and LOX pathway in primary human immune cells. Phytomedicine; 23(6):611-20,52016.

6-SCHIESS, S.; PLATZ, S.; KEMPER, M. et al. Oral administration of nasturtium affects peptide YY secretion in male subjects. Mol Nutr Food Res; 2017. doi: 10.1002/mnfr.201600886.

Efeito Anti-adipogênico da Capuchinha