Cranberry e efeitos na infecção urinária

            O Cranberry (Vaccinium macrocarpon) tem sido utilizado, por muitas décadas, para a prevenção e tratamento de infecções do trato urinário, por apresentar flavonoides e compostos fenólicos que previnem a aderência de microrganismos no trato urinário1-3.

            Recentemente, uma meta-análise – composta por estudos clínicos que envolveram 1498 mulheres – mostrou que o uso de Cranberry diminuiu o risco de infecções urinárias em até 23%, podendo reduzir o uso de antibióticos para esta finalidade. Entretanto, os autores reforçam que há poucas pesquisas com grandes coortes, sendo necessários estudos bem delineados para a comprovação desta atuação, bem como segurança no uso para esta condição clínica que afeta muitas mulheres no mundo4.

            Este efeito pode ser mais potente quando associado a probióticos. Pesquisadores da Universidade de Winsconsin (EUA) verificaram, em modelo celular de infecção urinária, que esta combinação é eficaz em inibir a invasão de E. coli – relatada como um dos principais gatilhos para o desenvolvimento de infecção urinária5.

            Além dessa aplicação, estudos mostram que seus compostos bioativos podem reduzir o estresse oxidativo e inflamação em nosso organismo. Um estudo realizado em ratos induzidos a problemas metabólicos identificou que a administração de Cranberry reduziu parâmetros de peroxidação lipídica. Ainda, os autores verificaram redução da esteatose hepática, sugerindo que a intervenção reduz desordens associadas à síndrome metabólica6.

            Seus efeitos metabólicos também foram observados de forma clínica. Um ensaio clínico conduzido com 56 indivíduos identificou que o consumo diário de suco de Cranberry, por 8 semanas, reduziu o risco de doenças cardiovasculares, incluindo melhora do perfil lipídico, redução de proteína C reativa e aumento da sensibilidade à insulina7.

            Embora os resultados sejam promissores, é importante ressaltar que seus efeitos não são isolados, sendo imprescindível a adequação dos hábitos alimentares como um todo.

 

Referências Bibliográficas

  1. NABAVI, S.F.; SUREDA, A.; DAGLIA, M. Cranberry for urinary tract infection: from bench to bedside. Curr Top Med Chem; 17(3):331-339,2017.
  2. DIETZ, B.M.; HAJIRAHIMKHAN, A.; DUNLAP, T.L. et al. Botanicals and their bioactive phytochemicals for women´s health. Pharmacol Rev; 68(4):1026-1073,2016.
  3. WEH, K.M.; CLARKE, J.; KRESTY, L.A. Cranberries and cancer: an update of preclinical studies evaluating the cancer inhibitory potential of cranberry and cranberry derived constituents. Antioxidants; 5(3): E27,2016.
  4. FU, Z.; LISKA, D.; TALAN, D. et al. An updated meta-analysis of cranberry and recurrent urinary tract infections in women. The FASEB Journal; 31(1):343,2017.
  5. POLEWSKI, C.G.; KRUEGER, J.D.; REED, D.J et al. Ability of cranberry proanthocyanidins in combination with a probiotic formulation to inhibit in vitro invasion of gut epithelial cells by extra-intestinal pathogenic E .coli. Journal of functional Foods; 25:123-134,2016.
  6. PEIXOTO,T.C.; MOURA, E.G.; OLIVEIRA, E. et al. Cranberry (Vaccinium macrocarpon) extract treatment improves triglyceridemia, liver cholesterol, liver steatosis, oxidative damage and corticosteronemia in rats rendered obese by high fat diet. Eur J Nutr; 2017. doi: 10.1007/s00394-017-1467-2.
  7. NOVOTHY, J.A.; BAER, D.J.; KHOO, C. et al. Cranberry juice consumption lowers markers of cardiometabolic risk, including blood pressure and circulating C-reactive protein, triglyceride, and glucose concentrations in adults. J Nutr; 145(6):1185-93,2015.

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