Efeitos dos probióticos no controle do estresse e ansiedade

Aproximadamente 34% da população apresentam desordens mentais – como os transtornos de ansiedade e estresse – responsáveis por uma série de comorbidades. Por esta alta prevalência, pesquisadores buscam, cada vez mais, alternativas eficientes e acessíveis para o tratamento e prevenção destas condições1, 2.

            A saúde do intestino tem grande influência no sistema nervoso central, uma vez que nosso microbioma intestinal é capaz de estimular sinais cerebrais relacionados à modulação de neurotransmissores, funções imunológicas e hormonais, que são associados à fisiopatologia da ansiedade e estresse3.

Como mecanismo, estudos sugerem que bactérias intestinais atuam no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal, via responsável pela produção de cortisol e catecolaminas que, em desequilíbrio, desencadeiam o estresse e ansiedade. Desta forma, tais sintomas podem ser atenuados com algumas estratégias nutricionais voltadas para a melhora da composição do microbioma intestinal – como o uso de probióticos3,4.

Os benefícios dos probióticos em sintomas psicológicos já foram avaliados em alguns estudos. Uma recente meta-análise – composta por estudos clínicos, randomizados, controlados por placebo – identificou que a suplementação com probiótico resultou em melhora significativa de sintomas psicológicos, quando comparada com placebo.  Desta forma, a suplementação de probióticos deve ser considerada como uma conduta segura para problemas que atingem o sistema nervoso central5.

Além dos probióticos, os prebióticos também são propostos como moduladores do eixo intestino-cérebro. Um estudo realizado em modelo animal mostrou que a administração de Fruto-oligossacarídeo e Galacto-oligossacarídeo, por 3 semanas, foi correlacionada com redução nos níveis de corticosterona – marcador de estresse crônico – e citocinas pró-inflamatórias, que potencializam os sintomas psicológicos.

Para complementar, a gordura saturada e o açúcar refinado podem impactar de forma negativa em processos neurológicos, através do eixo cérebro-intestino. Sabe-se que esses nutrientes predispõem ao aumento na produção de endotoxinas por bactérias intestinais, que promovem neuroinflamação. Além disso, prejudicam a permeabilidade do intestino, podendo aumentar a absorção de substâncias nocivas que elevam a inflamação sistêmica – potente gatilho para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas7.

Desta forma, a saúde intestinal é essencial para a modulação de componentes do sistema nervoso central, contribuindo para a prevenção de transtornos psicológicos que afetam a qualidade de vida de grande parte da população.

Referências Bibliográficas

  1. MARTINEZ, N.T.; GÓMEZ-RESTREPO, C.; RAMIREZ, S. et al. Prevalence of mood and anxiety disorders on people with chronic conditions. Results from the National Mental Health Survey in Colombia 2015. Rev Colomb Psiquiat.; 45 (Suppl 1):141-146,2016.
  2. BANDELOW, B.; MICHAELIS, S. Epidemiology of anxiety disorders in the 21 st century. Dialoques Clin Neurosci; 17(3):327-35,2015.
  3. DINAN, T.G.; CRYAN, J.F. The Microbiome-Gut-Brain axis in health and disease. Gastroenterol Clin North Am.; 46(1):77-89,2017.
  4. POKUSEAVA, K.; JOHNSON, C.; LUK, B. et al. GABA-producing Bifidobacterium dentium modulates visceral sensitivity in the intestine. Neurogastroenterol Motil; 29(1): e12904, 2017.
  5. MCKEAN, J.; NAUG, H.; NIKBAKHT, E. et al. Probiotics and subclinical psychological symptoms in healthy participants: a systematic review and meta-analysis. J Altern Complement Med; 2016, ahead of print. doi:10.1089/acm.2016.0023.
  6. BUROKAS, A.; ARBOLEYA, S.; MOLONEY, R.D. et al. Targeting the microbiota-gut-brain axis: Prebiotics have anxiolytic and antidepressant-like effects and reverse the impact of chronic stress in mice. Biol Psychiatry; pii: S0006-3223(17)30042-2, 2017.
  7. NOBLE, E.E.; HSU, T.M.; KANOSKI, S.E. Gut to brain dysbiosis: Mechanisms linking Western diet consumption, the microbiome, and cognitive impairment. Front Behav Neurosci; 11:9, 2017.

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