Impactos dos agrotóxicos na gestação

A gestação é um período de muitas alterações fisiológicas, que configuram um estado mais vulnerável – tanto para mãe, quanto para o bebê. Neste momento, a redução na exposição a toxinas é de extrema importância devido aos seus impactos negativos, que já são bem elucidados na literatura atual1.

Dentre as toxinas, os agrotóxicos – utilizados em grande escala pela agricultura convencional – ganham destaque no que se refere aos efeitos maléficos durante a gestação. Um recente estudo realizado com ratas prenhas, que foram expostas a um mix de agrotóxicos, identificou distúrbios mitocondriais em sua prole, que foram justificados pelo estresse oxidativo causado por estas toxinas. Ainda, os autores verificaram alterações no metabolismo lipídico e glicídico2.

Estudos clínicos também enfatizam os impactos negativos dos agrotóxicos durante a gestação. Uma análise prospectiva mostrou que filhos de mães que apresentaram maior exposição a agrotóxicos durante a gestação tiveram distúrbios metabólicos e genéticos, que podem aumentar o risco de algumas doenças – como a síndrome metabólica3.

Em outro estudo, observou-se que gestantes que viviam em regiões agrícolas – em que o uso de agrotóxicos era praticado- apresentaram maior tendência de ter filhos com risco de problemas neurológicos – como o autismo4. Da mesma forma, um estudo conduzido na Costa Rica identificou positiva correlação entre a exposição aos agrotóxicos – utilizados em regiões próximas de áreas residenciais – durante a gestação e aleitamento materno e aumento no risco de leucemia em crianças5.

Os riscos também são evidentes durante a gestação.  Um estudo populacional realizado na Califórnia indicou que gestantes que tinham maior contato com agrotóxicos, tiveram mais alterações pressóricas durante a gestação, caracterizando os quadros de pré-eclâmpsia e eclampsia6.

Além destes fatores, é importante ressaltar que a disponibilidade de nutrientes e compostos biotivos nos alimentos orgânicos – que não são cultivados com agrotóxicos – é superior. Assim, o aumento no consumo de alimentos orgânicos deve ser encorajado, sendo uma forma de promover mais saúde e preservação do nosso meio ambiente.

Referências Bibliográficas

1-MAKELARSKI, J.A.; ROMITTI, P.A.; ROCHELEAU, C.M. et al. Maternal periconceptional occupational pestice exposure and neural tube defects. Birth Defects Res A Clin Mol Teratol; 100(11):877-86, 2014.

2-BONVALLOT, N.; CANLET, C.; BLAS-Y-ESTRADA, F. et al. Metabolome disruption of pregnant rats and their offspring resulting from repeated exposure to a pesticide mixture representative of environmental contamination in Brittany. PLoS One; 13(6):e0198448, 2018.

3-ANDERSEN, H.R.; TINGGAARD, J.; GRANDJEAN, P. et al. Prenatal pesticide exposure associated with glycated haemoglobin and markers of metabolic disfunction in adolescentes. Environ Res; 166:71-77, 2018.

4-SAGIV, S.K.; HARRIS, M.H.; GUNIER, R.B. et al. Prenatal organophosphate pesticide exposure and traits related to autismo spectrum disorders in a population living in proximity to agriculure. Environ Health Perspect; 126(4):047012, 2018.

5-HYLAND, C.; GUIER, R.B.; METAYER, C. et al. Maternal residential pesticide use and risk of childhood leucemia in Costa Rica. Int J Cancer; 2018. doi: 10.1002/ijc.31522

6-SHAW, G.M.; YANG, W.; ROBERTS, E.M. et al. Residential agricultural pesticide exposure and risks of preeclampsia. Environ Res; 164:546-555, 2018.

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