Microbiota infantil e desenvolvimento cognitivo.

O eixo intestino-cérebro é alvo de muitos estudos, que buscam explicações sobre a atuação do nosso microbioma intestinal na modulação dos componentes do sistema nervoso. Como possível mecanismo, especula-se que metabólitos de bactérias patogênicas geram inflamação, que prejudica sinais neuroquímicos envolvidos na atividade cerebral1,2.

Desta forma, estratégias nutricionais voltadas para a melhora da composição da microbiota intestinal – como a mudança do padrão alimentar, inclusão de alimentos prebióticos e cepas probióticas – podem auxiliar no equilíbrio do sistema nervoso central, contribuindo com o desenvolvimento da cognição3,4.

Um estudo realizado em animais, induzidos a inflamação e aumento da permeabilidade intestinal, mostrou que a administração de bactérias probióticas resultou em supressão de metabólitos neuroinflamatórios, que interferem na memória5

Uma análise clínica também apresentou resultados promissores, ao avaliar a microbiota de 89 crianças de até 1 ano de idade. Neste estudo, os autores correlacionaram o aumento nas concentrações de bacteroidetes – bactérias consideradas como benéficas para o nosso organismo – com melhora do aprendizado, verificado através da escala Mullen de aprendizagem. Este é o primeiro estudo clínico, conduzido na população infantil, que mostra a importância da microbiota intestinal para o desenvolvimento da cognição6.

Além destas relações com a cognição, a microbiota intestinal saudável também é importante para melhorar outros parâmetros neurológicos, uma vez que o quadro de disbiose intestinal interfere no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal – via responsável pela homeostase de cortisol e catecolaminas que, em desequilíbrio, desencadeia diversas reações adversas à saúde, como ansiedade, irritabilidade e mau humor7,8.

Por estes estudos, a saúde intestinal deve ser priorizada desde os primeiros anos de vida, sendo essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso central e equilíbrio orgânico.

Referências Bibliográficas:

1-PROCTOR, C.; THIENNIMITR, P.; CHATTIPAKOM, N. et al. Diet, gut microbiota and cognition. Metab Brain Dis; 32(1):1-17,2017.

2-HU, X.; WANG, T.; JIN, F. Alzheimer´s disease and gut microbiota. Sci China Life Sci; 59(10):1006-1023,2016.

3-MAGNUSSON, K.R.; HAUCK, L.; JEFFREY, B.M. et al. Relationships between diet-related changes in the gut microbiome and cognitive flexibility. Neuroscience; 300:128-40,2015.

4-GALLAND, L.; The gut microbiome and the brain. J Med Food; 17(12):1261-72,2014.

5-JANG, S.E.; LIM, S.M.; JEONG, J.J. et al. Gastrointestinal inflammation by gut microbiota disturbance induces memory impairment in mice. Mucosal Immunol; 2017. doi: 10.1038/mi.2017.49.

6-CARLSON, A.L.; XIA, K.; AZCARATE-PERIL, M.A. et al. Infant gut microbiome associated with cognitive development. Biological Psychiatry; 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.biopsych.2017.06.021.

7-WILEY, N.C.; DINAN, T.G.; ROSS, R.P. et al. The microbiota-gut-brain axis as a key regulator of neural function and the stress response: implications for human and animal health. J Anim Sci; 95(7):3225-3246,2017.

8-CLARKE, G.; GRENHAM, S.; SCULLY, P. et al. The microbiome-gut-brain axis during early life regulates the hippocampal serotonergic system in a sex-dependent manner. Mol Psychiatry. 18(6):666-73,2013.

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Os benefícios das frutas vermelhas na saúde intestinal são evidentes na comunidade científica, especialmente por suas características nutricionais, favorecendo o consumo de fitoquímicos antioxidantes e anti-inflamatórios1,2

Além destas atuações, as antocianinas – um dos principais compostos presentes nas frutas de coloração vermelho-arroxeada – podem modular a microbiota intestinal, pelo efeito prebiótico que exercem1. Um recente estudo conduzido em modelo animal - de indução de problemas metabólicos com dieta hiperlipídica - correlacionou a administração de antocianinas do mirtilos com melhora na composição da microbiota probiótica. Para complementar, observou-se melhora da inflamação sistêmica e resistência à insulina com a intervenção3.

O açaí – fruta típica da nossa biodiversidade e rica em antocianinas – também pode conferir benefícios prebióticos. Um estudo realizado in vitro, conduzido a partir da simulação da digestão gastrointestinal, identificou que a administração de polpa de açaí promoveu alterações na fermentação bacteriana, concomitante ao aumento na produção de ácidos graxos de cadeia curta, que protegem o intestino de diversas reações inflamatórias4.

Para contribuir com estes benefícios, uma análise realizada em modelo animal indiciou que a administração de polifenois da uva reduziu gatilhos inflamatórios na mucosa duodenal, podendo contribuir com a integridade intestinal, bem como a adequada condução de suas funções. Nesta análise, ainda constatou-se aumento de reações antioxidantes, que favorecem a saúde do intestino e demais sistemas5.

Com base nestes resultados, o consumo de frutas com coloração vermelho-arroxeada pode ser uma interessante estratégia para melhorar a saúde do intestino, quando associada a outros compostos que protegem este importante órgão – como os alimentos protetores de mucosa e digestivos – e uma alimentação saudável como um todo.

Dessa forma, devemos incluir em nossa alimentação diária frutas como pitanga, camu-camu, seriguela para ajudar na saúde do intestino, quando associadas a uma alimentação equilibrada e individualizada. 

Referências Bibliográficas:

1-FARIA, A.; FERNANDES, I.; NORBERTO, S. et al. Interplay between anthocyanins and gut microbiota. J Agric Food Chem; 62(29):6898-902, 2014.

2-HRIBAR, U.; ULRIH, N.P. et al. The metabolismo of anthocyanins. Curr Drug Metab; 15(1):3-13, 2014.

3-LEES, S.; KEIRSEY, K.L.; KIKLAND, R. et al. Blueberry supplementation influences the gut microbiota, inflammation, and insulin resistance in high-fat-diet-fed rats. J Nutr; 48(2):209-219, 2018.

4-ALGURASHI, R.M.; ALARIFI, S.N.; WALTON, G.E. et al. In vitro approaches to assess the effects of açaí (Euterpe oleracea) digestion on polyphenol availability and the subsequent impact on the faecal microbiota. Food Chem; 234:190-198,2017.

5-GESSNER, D.K.; FIESEL, A.; MOST, E. et al. Supplementation of grape seed and grape marc meal extract decreases activities of the oxidative stress-responsive transcription factors NF- k Band Nrf2 in the duodenal mucosa of pigs. Acta Vet Scand; 55:18, 2013.

 

Como as frutas vermelhas podem melhorar a saúde intestinal