O consumo moderado de café pode trazer benefícios

O café, bebida tão cotidiana do brasileiro, mostra-se cada vez mais trazer benefícios a saúde quando consumido de forma moderada e individualizada.

Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, apontou que o consumo de café está associado a uma menor probabilidade de se desenvolver depressão. O estudo foi feito através da análise de dados dos hábitos de 50 mil voluntárias durante 10 anos.

Outro estudo da mesma universidade identificou um aumento nos níveis de adiponectina em pessoas que consumiram café. Esse hormônio produzido pelo tecido adiposo auxilia a insulina na sinalização para o aproveitamento da glicose pelas células. Nesse sentido é aventada a utilização do café como alimento auxiliar no tratamento da diabetes tipo 2 e outros estudos estão sendo feitos e indicando esse benefício. Porém ainda sem resultados conclusivos, já que essa doença é multifatorial e depende de outros fatores relacionados ao estilo de vida, além do consumo de um único alimento.

Outros estudos já apontaram benefícios no consumo do café, principalmente relacionados ao seu potencial antioxidante, devido à quantidade e variedade de polifenois e flavonoides. Alguns dos ácidos já identificados e estudados são os ácidos hidroxicinamico, ácido cafeico, ácido cumárico, acido ferrúlico e ácido clorogênico. Os estudos ainda demonstraram que o processo de torrefação destrói alguns compostos fenólicos e parece auxiliar na formação de outros compostos antioxidantes.

O café pode prevenir a oxidação do DNA (inibindo a oxidação da adenina e guanosina), além de prevenir a oxidação da fração LDL-colesterol e possivelmente auxiliar na prevenção da formação de placas de ateroma.

O consumo de café também demonstrou efeito positivo na velocidade de codificação e processamento mental – possivelmente derivado do efeito estimulante da cafeína o que também pode justificar outros resultados em estudos como o aumento da termogênese e oxidação lipídica em mulheres sem obesidade, especialmente se associado a exercícios físicos.

Outros estudos ainda associaram o consumo da bebida a menor incidência da doença de Parkinson e mal de Alzheimer além da redução do risco de formação de cálculos biliares.

Faz-se imprescindível ressaltar que os benefícios do café são dependentes da dose, que como outros compostos em excesso pode fazer mal, especialmente pelo teor de cafeína contido nessa bebida. Outro ponto a se considerar é o modo de preparo do café, sendo mais interessante o café coado ao invés do café expresso. A recomendação de doses e as possíveis contraindicações do consumo de café devem ser avaliadas por meio de uma consulta nutricional individual. Gestantes, pacientes com insônia, agitação e problemas estomacais, especialmente, devem consultar um nutricionista, pois o consumo de café pode ser contraindicado. Dessa forma, é importante que a ingestão de café seja equilibrada, orientada e dentro de uma dieta saudável rica em alimentos naturais, para que os benefícios dessa bebida sejam alcançados.

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