Obesidade infantil e diabetes tipo 2

A obesidade e a diabetes são uma epidemia global de saúde. Cerca de metade dos adultos, com 18 anos ou mais, eram obesos ou tinham sobrepeso em 2014 (WHO, 2015) e uma em cada três crianças que saíram da escola primária foram consideradas obesas em 2015 (CRAIG et al, 2015).

Um estudo publicado em 2017 no periódico científico Journal of the Endocrine Society mostrou uma relação direta entre a obesidade infantil e maior risco para diabetes do tipo 2. De acordo com o estudo, crianças obesas têm quatro vezes mais chances de ter diabetes do tipo 2 aos 25 anos quando comparadas com outras que não tiveram sobrepeso.

Para chegar às conclusões, foram usados dados de 369.362 crianças do Reino Unido, com idade entre 2 e 15 anos, acompanhadas de 1994 a 2013. Os resultados evidenciaram que 49,5% eram do sexo feminino e 50,5% do sexo masculino, 12,3% tinham sobrepeso e 16,7% eram obesos. As devidas correlações foram feitas através de coletas de dados de altura e peso para cálculo do IMC e não foi realizada nenhuma intervenção. Após a análise dos dados observou-se 654 casos de diabetes tipo 2 e 1318 de diabetes tipo 1. A incidência de diabetes tipo 2 aumentou de 6,4% em 1994-1998 para 33,2% em 2009-2013, e de diabetes tipo 1 aumentou de 38,2% para 52,1% no mesmo período. Indivíduos obesos constituíram 47,5% dos casos de diabetes tipo 2. Os dados não mostraram relações entre obesidade e diabetes tipo 1,  devido ao fato de ser uma doença de etiologia autoimune, conforme justificado pelos pesquisadores.

Ainda sobre essa relação de diabetes e obesidade, outro estudo publicado em 2016 mostrou que o número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. Esse aumento pode estar relacionado ao crescimento no número de crianças obesas. Os dados fazem parte da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL, 2016), respostas de entrevistas com 53.210 pessoas maiores de 18 anos de todas as capitais brasileiras.

Segundo esse mesmo estudo, o crescimento da obesidade é um dos fatores que podem ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que pioram a condição de vida do brasileiro e aumentam o risco para mortalidade.

Uma alimentação saudável, que considere a individualidade bioquímica e que seja baseada em alimentos in natura e reduzida em alimentos processados, associada com hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física, pode reduzir a ocorrência de obesidade e diabetes tipo 2 na população. É importante também, cuidarmos da alimentação das crianças para que se tornem adultos com saúde e vitalidade positiva, como prega a nutrição funcional!

Referências bibliográficas:

WHO (WORLD HEALTH ORGANIZATION). Obesity and overweight. 2015. Disponível em:< http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/>.

CRAIG, R.; FULLER, E.; MINDELl, J. Health Survey for England 2014: Chapter 10: Children’s BMI, Overweight and Obesity. Health and Social Care Information Center, 2015.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2016: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

ABBASI, A. et al. Body Mass Index and Incident Type 1 and Type 2 Diabetes in Children and Young Adults: A Retrospective Cohort Study. Journal Of The Endocrine Society; 2017.

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