Relação entre obesidade e problemas respiratórios: como a nutrição pode ajudar?

A obesidade é uma doença multifatorial, sendo correlacionada com diversos sintomas e doenças. Como exemplo, os problemas respiratórios são recorrentes em pacientes obesos, e esta correlação pode ser justificada pelo aumento do processo inflamatório, característico do ganho de peso excessivo1, 2.

Esta associação já foi observada em alguns estudos populacionais. Recentemente, uma análise que envolveu 16 coortes europeias indicou que crianças que apresentavam asma ativa – com sintomas evidentes no ano de análise – tinham maior risco de obesidade, quando comparadas às crianças que não apresentavam o diagnóstico de problemas respiratórios3.

Em outra análise, constatou-se que o ganho de peso durante o início da idade adulta foi associada ao aumento da obstrução de vias aéreas, interferindo nas funções pulmonares4.

Assim, o acompanhamento nutricional é de extrema importância para reduzir essas duas morbidades. Um estudo realizado com 87 crianças asmáticas e obesas mostrou que o aconselhamento nutricional por 18 meses – concomitante ao acompanhamento psicológico, mudança de estilo de vida e atividade física – melhorou funções pulmonares e, consequentemente, reduziu os sintomas respiratórios característicos da asma. Este estudo é de grande relevância clínica, por mostrar a importância do tratamento multidisciplinar em longo prazo, para resultados mais robustos5.

Vale ressaltar a importância da inclusão de alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios. Neste contexto, é conhecido que o consumo de fontes de resveratrol – como alimentos vermelhos e arroxeados -, quercetina – como a cebola, alho, maçã e romã- e sulforafanos – encontrados em brássicas -, pode ser uma interessante estratégia para a redução da inflamação sistêmica, minimizando os riscos das duas condições e colaborando com a qualidade de vida6,7.

Referências Bibliográficas:

1-SUTHERLAND, E.R. Linking obesity and asthma. Ann N Y Acad Sci; 1311:31-41, 2014.

2-SIVAPALAN, P.; DIAMANT, Z.; ULRIK, C.S. Obesity and asthma: current knowledge and future needs. Curr Opin Pulm Med; 21(1):80-5, 2015.

3-CONTRERAS, Z.A.; CHEN, Z.; ROUMELIOTAKI, T. Does early onset asthma increase childhood obesity risk? A pooled analysis of 16 European cohorts. Eur Respir J; 52(3):1800504, 2018.

4-STRUNK, R.C.; COLVIN, R.; BACHARIER, L.B. et al. Airway obstruction worsens in young adults with asthma who become obese. J Allergy Clin Immunol Pract; 3(5):765-71, 2015.

5-WILLEBOORDSE, M.; VAN DE KANT, K.D.G.; TAN, F.E. et al. A multifactorial weight reduction programme for children with overweight and asthma: a randomized controlled trial. PLoS One; 11(6):e0157158, 2016.

6-JAYARATHNE, S.; KOBOZIEV, I.; PARK, O.H. et al. Anti-inflammartory and anti-obesity properties of food bioactive components: effects on adipose tissue. Prev Nutr Food Sci; 22(4):251-262, 2017.

           

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A obesidade é uma das condições mais prevalentes no mundo, sendo associada a diversas morbidades – como hipertensão, dislipidemias e diabetes – que reduzem a expectativa de vida. O acúmulo de adipócitos – principal gatilho para a patogênese da obesidade – é responsável pela ativação imunológica que favorece a migração de diversos tipos celulares que aumentam as concentrações de citocinas inflamatórias. Como consequência, esses mediadores ativam vias de adipogênese, promovendo a diferenciação e proliferação adipocitária1,2.

O Brasil é rico em plantas que podem auxiliar na redução do risco de obesidade, como a Capuchinha (tropaeolum majus) – uma flor comestível encontrada na região sudeste do Brasil. Como mecanismo, um estudo realizado em cultura de adipócitos identificou que a administração de extrato de Capuchinha inibiu o acúmulo lipídico e reduziu a expressão gênica de fatores que aumentam o processo de adipogênese3.

A Capuchinha também é proposta para reduzir vias inflamatórias que podem ser ressaltadas na obesidade4. Por esta hipótese, um grupo de pesquisadores verificou, em modelo celular, que o extrato aquoso da planta foi capaz de suprimir a via das Ciclooxigenases, sugerindo efeito anti-inflamatório5.

Além destas importantes atuações, um ensaio clínico conduzido com 15 homens metabolicamente saudáveis mostrou que o consumo de suas folhas secas resultou em aumento de hormônios intestinais que regulam a saciedade, podendo reduzir o consumo energético6.

Desta forma, o consumo de Capuchinha é proposta como uma interessante estratégia para a redução do risco de obesidade. Entretanto, é importante considerar a literatura escassa sobre suas correlações clínicas, que impede conclusões precisas sobre a sua efetividade em condições metabólicas.  

 

Referencias Bibliográficas

1-HERNÁNDEZ-CORDERO, S.; CUEVAS-NASU, L.; MORÁN-RUÁN, M.C. et al. Overweight and obesity in Mexican children and adolescents during the last 25 years. Nutr Diabetes; 7(3):e247,2017.

2-CASTOLDI, A.; NAFFAH, S.C.; CÂMARA, N.O. et al. The macrophage switch in obesity development. Front Immunol; 6:637,2016.

3-KIM, G.C.; KIM, J.S.; KIM, G.M. et al. Anti-adipogenic effects of Tropaeolum majus (nasturtium) etanol extract on 3T3-L1 cells. Food Nutr Res; 61(1):1339555,2017.

4-VILLANUEVA, J.R.; ESTEBAN, J.M.; VILLANUEVA, L.R. Solving the puzzle: what is behind our forefathers anti-inflammatory remedies? J Intercult Ethnopharmacol; 6(1):128-143,2016.

5-TRAN, H.T.; MÁRTON, M.R.; HERZ, C. et al. Nasturtium (Indian cress, Tropaeolum majus nanum) dually blocks the COX and LOX pathway in primary human immune cells. Phytomedicine; 23(6):611-20,52016.

6-SCHIESS, S.; PLATZ, S.; KEMPER, M. et al. Oral administration of nasturtium affects peptide YY secretion in male subjects. Mol Nutr Food Res; 2017. doi: 10.1002/mnfr.201600886.

Efeito Anti-adipogênico da Capuchinha