Saúde intestinal e hepática – quais correlações?

Nosso intestino é responsável por uma série de conexões com outros sistemas e, portanto, sua integridade tem sido associada com a redução do risco de algumas doenças. Dentre as correlações observadas, o intestino saudável interage com vias hepáticas, que sinalizam reações metabólicas importantes para o nosso organismo1,2.

Para enfatizar estas correlações, um estudo publicado pela revista American Journal of Clinical Nutrition mostrou que pacientes obesos – que são mais predispostos a alterações na permeabilidade intestinal – apresentaram maior risco de esteatose hepática por este motivo. Este resultado foi justificado pelos fatores que aumentam a inflamação sistêmica na microbiota patogênica, prejudicando a integridade intestinal e a saúde hepática3.

Desta forma, alguns alimentos são propostos para melhorar a saúde intestinal e, por consequência, a hepática. As fibras prebióticas ganham maior evidência nesta associação, uma vez que favorecem a proliferação de bactérias boas no intestino, reduzido possíveis fatores inflamatórios produzidos pela microbiota patogênica.  Um estudo que envolveu pacientes diagnosticados com esteatose hepática confirmou esta hipótese, ao mostrar que o consumo de 16 gramas de fibras prebióticas – presentes na banana verde, chicória e alcachofra, por exemplo – reduziu parâmetros associados à doença, além de ter melhorado a qualidade de vida dos pacientes estudados4.

Neste contexto, também podemos citar os polifenóis pela atuação prebiótica que conferem ao intestino. O açaí, por exemplo, tem sido proposto por apresentar altas concentrações destes compostos bioativos, favorecendo a integridade e redução de fatores inflamatórios no intestino5. Essa ligação pode contribuir com a redução do risco de esteatose hepática, já observada em recentes estudos6,7.

Para contribuir com estes benefícios, uma análise realizada em modelo animal indiciou que a administração de polifenóis da uva reduziu gatilhos inflamatórios na mucosa duodenal. Nesta análise, ainda, constatou-se aumento de reações antioxidantes, que favorecem a saúde do intestino e demais sistemas8.

Portanto, a saúde intestinal exerce importante influencia na saúde hepática, e estratégias para melhora de sua integridade devem ser consideradas em um planejamento alimentar saudável para o paciente mais predisposto a desenvolver problemas que atingem o fígado.

Referências Bibliográficas:

1-AYDIN, O.; NIEUWDROP, M.; GERDES, V. The gut microbiome as a target for the treatment of type 2 diabetes. Curr Diab Rep; 18(8):55, 2018.

2-ATIF, M.; WARNER, S.; Oo, Y.H. Linking the gut and liver: crosstalk between regulatory T cells and mucosa-associated invatiant T cells. Hepatol Int; 12(4):305-314, 2018.

3-DAMMS-MACHADO, A.; LOUIS, S.; SCHINITZER, A. et al. Gut permeability is related to body weight, fatty liver disease, and insulin resistance in obese individuals undergoing weight reduction. Am J Clin Nutr; 105(1):127-135, 2017.

4-LAMBERT, J.E.; PARNELL, J.A.; EKSTEEN, B. et al. Gut microbiota manipulation with prebiotics in patients with non-alcoholic fatty liver disease: a randomized controlled trial protocol. BMC Gastroenterol; 15:169, 2015.

5-ALGURASHI, R.M.; ALARIFI, S.N.; WALTON, G.E. et al. In vitro approaches to assess the effects of açaí (Euterpe oleracea) digestion on polyphenol availability and the subsequent impact on the faecal microbiota. Food Chem; 234:190-198,2017.

6-GESSNER, D.K.; FIESEL, A.; MOST, E. et al. Supplementation of grape seed and grape marc meal extract decreases activities of the oxidative stress-responsive transcription factors NF- k Band Nrf2 in the duodenal mucosa of pigs. Acta Vet Scand; 55:18, 2013.

7-CARVALHO, M.M.F.; REIS, L.L.T.; LOPES, J.M.M. et al. Açaí improves non-alcoholic fatty liver disease (NAFLD) induced by fructose. Nutr Hosp; 16:318-325, 2018.

8-ALESSANDRA-PERINI, J.; PERINI, J.A.; RODRIGUES-BAPTISTA, K.C. et al. Euterpe oleracea extract inhibits tumorigenesis effect of the chemical carcinogen DMBA in breast experimental cancer. BMC Complement Altern Med; 18(1):116, 2018.

 

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