Você é o que você come

As escolhas alimentares que fazemos diariamente dizem muito sobre nosso estado de saúde, os sinais e sintomas que apresentamos e a presença ou não de certas doenças. Por isso é tão importante que tenhamos um equilíbrio nutricional, com a ingestão adequada de nutrientes que irão nutrir as células para que as mesmas desempenhem suas funções corretamente, reduzindo os riscos do surgimento de doenças.

Mas é importante ressaltar que cada pessoa responde de forma diferente a determinados alimentos, pois cada organismo é único.  Portanto nossas escolhas alimentares não devem se basear em dietas da moda ou no que a mídia ou redes sociais impõem como saudável ou não saudável, pois a alimentação diária deve respeitar nossas características e necessidades individuais. Deve-se garantir, por meio da alimentação, quantidade de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios), micronutrientes (vitaminas e minerais) e compostos bioativos necessários para cada indivíduo e que, em conjunto, serão essenciais para o bom funcionamento do organismo.

Contudo, na busca por uma alimentação mais balanceada e saudável, devemos sempre buscar orientação individualizada de um profissional capacitado, para não cairmos em algumas armadilhas. Por exemplo, produtos descritos como diet e light não são, obrigatoriamente, produtos mais saudáveis. Muitos alimentos com essa classificação podem conter substâncias químicas como aditivos, corantes, conservantes e adoçantes que, em excesso, são prejudiciais à nossa saúde. Além disso, devemos sempre optar por alimentos mais naturais.

Outra polêmica é o consumo de leite. Afinal, é ou não saudável consumir leite diariamente? Há um forte apelo de que o consumo deste alimento é saudável para qualquer pessoa, uma vez que acredita-se que teria efeitos na osteoporose por ser fonte de cálcio. Porém, o leite pode não ser benéfico para algumas pessoas devido ao seu potencial alergênico, trazendo consequências indesejáveis. Apesar de sua boa quantidade de cálcio, este mineral no leite não tem uma boa biodisponibilidade, ou seja, não tem uma boa absorção e boa utilização no nosso organismo. Para o cálcio ser bem utilizado pelo nosso organismo, precisa ser ingerido em quantidades equilibradas com o magnésio: no leite isso não ocorre, já que este alimento contém muito mais cálcio do que magnésio. Assim, há outros alimentos com menor potencial alergênico, que são boas fontes de cálcio e devem fazer parte de uma dieta saudável, como por exemplo, o feijão branco, a semente de gergelim e os vegetais folhosos verde escuros como a couve. Outro ponto a ser considerado é o leite UHT comercializado atualmente. O próprio processo UHT já causa algumas mudanças no leite, como perda de alguns nutrientes e aumento na formação de compostos que podem ser maléficos à saúde. Além disso, alguns estudos científicos mostram a presença de antibióticos e agrotóxicos nesses produtos, provenientes do tratamento destas vacas contra infecções e presentes em sua alimentação, que pode ser um pasto ou rações contaminadas por agrotóxicos e outras toxinas. Assim, deve-se ter cautela sobre a procedência do leite e a sua prescrição deve ser individualizada.

A indústria alimentícia também tem grande influência sobre nossas escolhas, por meio de diversas propagandas que mostram possíveis benefícios à saúde associados ao consumo de seus produtos, alegando que são integrais, naturais e saudáveis. Porém, devemos ter muito cuidado em nossas escolhas, sempre nos atendando aos rótulos – os quais denunciam estes produtos ao mostrarem a presença de ingredientes não saudáveis como alta quantidade de gordura, açúcar, xaropes de glicose ou frutose, farinhas refinadas, sal e vários outros aditivos químicos. Esses compostos químicos contribuem de forma expressiva para o surgimento de vários sinais e sintomas que muitas pessoas apresentam, como enxaqueca, constipação intestinal ou diarreia – interferindo na saúde intestinal e em sua capacidade de absorver nutrientes, podendo resultar em vários desequilíbrios orgânicos, como por exemplo, deficiências nutricionais (associadas a queda de cabelo, unhas fracas, maior fragilidade dos ossos, problemas de pele, envelhecimento precoce, falta de energia e indisposição), hiperatividade, ansiedade, prejuízos na memória, alterações de humor e capacidade de aprendizado, inchaço e prejuízos ao sistema imunológico, aumentando os riscos de gripes e infeções. Além disso, o consumo exagerado destes produtos, associado a uma alimentação desequilibrada, pode gerar doenças, como diabetes, aumento de colesterol, hipertensão, obesidade, doenças do coração, fígado, intestino e rins. E é por isso que nossa alimentação diz muito sobre o que somos e o que sentimos!

Relatos científicos indicam que as doenças crônicas não-transmissíveis têm sua origem cerca de 20-25 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Por isso, uma alimentação equilibrada e balanceada deve ser seguida desde a infância, onde devemos criar os hábitos alimentares saudáveis estimulando o consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e peixes, ou seja, alimentos naturais. Muitas vezes, por alegarmos falta de tempo para o preparo dos alimentos, acabamos consumindo grandes quantidades de produtos industrializados que, apesar da praticidade, são pobres nutricionalmente. Sabemos que aquelas crianças que têm hábitos alimentares saudáveis, os mantêm por toda vida; inclusive, há intervenções dietéticas bem sucedidas que conseguiram melhorar os hábitos alimentares de crianças, uma vez que estes hábitos se formam na primeira infância, quando os pais têm papel fundamental na apresentação de alimentos saudáveis. Assim, precisamos conscientizar a população, e principalmente os pais, de sua responsabilidade sobre as escolhas alimentares de seus filhos.

Uma alimentação balanceada e equilibrada é essencial para promover saúde e qualidade de vida, e o nutricionista é o profissional capacitado para fazer um acompanhamento dietético personalizado, considerando as necessidades individuais, todos os efeitos que a alimentação pode trazer, bem como o aspecto social, cultural, estilo de vida e histórico familiar.

Dessa forma, manter um padrão alimentar com escolhas mais naturais saudáveis e equilibradas resultará em mais saúde e vitalidade positiva, resultando em peso corporal adequado, mais beleza e bom equilíbrio da mente e de nossas emoções.  

Referências bibliográficas:

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