Pesticidas e riscos gestacionais

A alimentação durante o período gestacional merece muita atenção dos profissionais, sendo determinante para a redução do risco de muitas doenças que afetam a saúde da mãe e do bebê1, 2.

Neste contexto, o uso de pesticidas em diversos alimentos que fazem parte da alimentação das gestantes tem chamado atenção de muitos pesquisadores, que já identificaram algumas correlação com aumento no risco de doenças1,2.

Um recente estudo realizado com gestantes observou positiva correlação entre a exposição a pesticidas e risco de diabetes gestacional. Os autores justificam este risco pelo efeito pró-inflamatório que alguns pesticidas exercem em receptores de insulina, prejudicando a adequada condução fisiológica do hormônio2.

Em outra análise, realizada com 235 mulheres, indicou positiva correlação entre a alta exposição a pesticidas durante a gestação e risco de problemas cognitivos, como autismo durante a infância3

O aumento dos níveis pressóricos durante a gestação também é uma condição que gera riscos, sendo correlacionado com a alta exposição a pesticidas – especialmente por mulheres que vivem em regiões agrícolas, em que o uso é altamente praticado. Assim, estudos têm mostrado que o consumo de alimentos orgânicos pode reduzir este risco, dado que pode ser justificado pelo efeito anti-inflamatório que estes alimentos exercem na saúde da gestante4.

Portanto, o consumo de alimentos orgânicos e biodinâmicos deve ser, cada vez mais, incentivado, especialmente em condições mais vulneráveis- como a gestação.

Referências Bibliográficas:

1-TOICHUEV, R.M.; ZHILOVA, L.V.; PAIZILDAEV, T.R. et al. Organochlrine pesticides in placenta in Kyrgyzstan and the effect on pregnancy, childbirth, and newborn health. Environ Sci Pollut Res Int; 32:31885-31894, 2018.

2-RAHMAN, M.L.; ZHANG, C.; SMARR, M.M. et al. Persistent organic and gestational diabetes: a multi-center prospective cohort study of healthy US woman. Environ Int; 124:249-258, 2019.

3-VON EHRENSTEIN, O.S.; LING, C.; CUI, X. et al. Prenatal and infant exposure to ambiente pesticides and autismo spectrum disorder in children: population based case-control study. BMJ; 364:I962, 2019.

4-TORJUSEN, H.; BRANTSAETER, A.L.; HOUGEN, M. et al. Reduced risk of pre-eclampsia with organic vegetable consumption: results from the prospective norwegian Mother and child cohort study. BMJ Open; 4(9): e006143, 2014.

                       

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Os benefícios das frutas vermelhas na saúde intestinal são evidentes na comunidade científica, especialmente por suas características nutricionais, favorecendo o consumo de fitoquímicos antioxidantes e anti-inflamatórios1,2

Além destas atuações, as antocianinas – um dos principais compostos presentes nas frutas de coloração vermelho-arroxeada – podem modular a microbiota intestinal, pelo efeito prebiótico que exercem1. Um recente estudo conduzido em modelo animal - de indução de problemas metabólicos com dieta hiperlipídica - correlacionou a administração de antocianinas do mirtilos com melhora na composição da microbiota probiótica. Para complementar, observou-se melhora da inflamação sistêmica e resistência à insulina com a intervenção3.

O açaí – fruta típica da nossa biodiversidade e rica em antocianinas – também pode conferir benefícios prebióticos. Um estudo realizado in vitro, conduzido a partir da simulação da digestão gastrointestinal, identificou que a administração de polpa de açaí promoveu alterações na fermentação bacteriana, concomitante ao aumento na produção de ácidos graxos de cadeia curta, que protegem o intestino de diversas reações inflamatórias4.

Para contribuir com estes benefícios, uma análise realizada em modelo animal indiciou que a administração de polifenois da uva reduziu gatilhos inflamatórios na mucosa duodenal, podendo contribuir com a integridade intestinal, bem como a adequada condução de suas funções. Nesta análise, ainda constatou-se aumento de reações antioxidantes, que favorecem a saúde do intestino e demais sistemas5.

Com base nestes resultados, o consumo de frutas com coloração vermelho-arroxeada pode ser uma interessante estratégia para melhorar a saúde do intestino, quando associada a outros compostos que protegem este importante órgão – como os alimentos protetores de mucosa e digestivos – e uma alimentação saudável como um todo.

Dessa forma, devemos incluir em nossa alimentação diária frutas como pitanga, camu-camu, seriguela para ajudar na saúde do intestino, quando associadas a uma alimentação equilibrada e individualizada. 

Referências Bibliográficas:

1-FARIA, A.; FERNANDES, I.; NORBERTO, S. et al. Interplay between anthocyanins and gut microbiota. J Agric Food Chem; 62(29):6898-902, 2014.

2-HRIBAR, U.; ULRIH, N.P. et al. The metabolismo of anthocyanins. Curr Drug Metab; 15(1):3-13, 2014.

3-LEES, S.; KEIRSEY, K.L.; KIKLAND, R. et al. Blueberry supplementation influences the gut microbiota, inflammation, and insulin resistance in high-fat-diet-fed rats. J Nutr; 48(2):209-219, 2018.

4-ALGURASHI, R.M.; ALARIFI, S.N.; WALTON, G.E. et al. In vitro approaches to assess the effects of açaí (Euterpe oleracea) digestion on polyphenol availability and the subsequent impact on the faecal microbiota. Food Chem; 234:190-198,2017.

5-GESSNER, D.K.; FIESEL, A.; MOST, E. et al. Supplementation of grape seed and grape marc meal extract decreases activities of the oxidative stress-responsive transcription factors NF- k Band Nrf2 in the duodenal mucosa of pigs. Acta Vet Scand; 55:18, 2013.

 

Como as frutas vermelhas podem melhorar a saúde intestinal