Poluição ambiental pode interferir na gestação

A gestação é um período de muitas mudanças fisiológicas e requer alguns cuidados especiais para que seja saudável. Assim, recomenda-se que a exposição a toxinas seja reduzida, uma vez que estes xenobióticos podem interferir em algumas reações bioquímicas1.

A poluição ambiental é um dos meios para esta exposição. Um estudo realizado com mulheres na vigésima semana gestacional correlacionou a exposição ao carbono elementar presente no tráfego com aumento na pressão sistólica, podendo ser um risco para desordens cardiovasculares durante este período2. Estes dados podem ser explicados pelo efeito inflamatório causado pelas toxinas encontradas na poluição.

Em outro estudo, observou-se que gestantes que residiam em áreas mais urbanas – e, consequentemente, mais expostas à poluição do tráfego – apresentaram mais riscos de problemas metabólicos – especialmente diabetes gestacional – durante a gestação, em comparação a gestantes que residiam em ambientes mais naturais. Os autores reforçam a importância dos ambientes naturais durante este período3.

A poluição também pode prejudicar a saúde do feto. Um recente estudo que avaliou 50.005 mulheres indicou correlação entre a má qualidade do ar e exposição à poluição durante todo o período gestacional, e restrições no crescimento fetal.  Este resultado é justificado pela dificuldade que o feto apresenta em receber nutrientes e oxigênio da circulação materna, nesta condição. Como consequência, a exposição crônica a poluentes pode aumentar o risco de problemas cognitivos e doenças metabólicas durante a fase adulta4.

Portanto, a poluição ambiental é mais um cenário que pode afetar a saúde da gestante e da criança, sendo de extrema importância avaliação de métodos para garantir a redução destas toxinas. Em termos nutricionais, é importante incentivar o consumo de nutrientes e compostos bioativos que atuam na eliminação destas toxinas – encontrados em grande quantidade em frutas, verduras e legumes, favorecendo o sistema de destoxificação. 

Referências Bibliográficas:

1-ASSIBEY-MENSAH, V.; GLANTZ, J.C.; HOPKE, P.K. et al. Ambient wintertime particulate air pollution and hypertensive disorders of pregnancy in Monroe County, New York. Environ Res; 168:25-31, 2018.

2-SEARS, C.G.; BRAUN, J.M.; RYAN, P.H. et al. The association of traffic-related air and noise pollution with maternal blood pressure and hypertensive disorders of pregnancy in the HOME study cohort. Eviron Int; 121:574-581, 2018. 

3-CHOE, S.A.; KAUDERER, S.; ELIOT, M.N. et al. Air pollution, land use, and complications of pregnancy. Sci Total Eviron; 645:1057-1064, 2018.

4-NOBLES, C.J.; GRANTZ, K.L.; LIU, D. et al. Ambient pollution and fetal growth restriction: physician diagnosis of fetal growth restriction versus population-based small-for-gestational age. Sci Total Environ; 650: 2641-2647, 2018.

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